20 de julho de 2010

É preciso resgatar a ética





Utilizando uma expressão recorrente do atual Presidente da República, “nunca na história deste país” a ética foi tão aviltada, enxovalhada e desprezada. Tornamo-nos espectadores (inertes) dos mais escabrosos escândalos envolvendo, principalmente, membros do Poder Legislativo e Executivo, que deveriam zelar pelo interesse e pelo patrimônio público, mas, ao invés disso, utilizam-se de seus cargos eletivos com o único e inequívoco propósito de obterem vantagens pessoais para se perpetuarem no poder.

É muito provável que nossos governantes e legisladores desconheçam (ou se esqueçam) a real definição da palavra república, que é oriunda do latim (res = coisa + pública), significando coisa pública. A triste realidade é que os bens públicos são constantemente espoliados ou tratados como se particulares fossem, a ponto de ser recentemente revelada a existência de centenas de “atos secretos” editados para a prática de nepotismo, aumento de vencimentos, nomeações irregulares, entre outras ilegalidades. Ora, a administração pública não se compraz com práticas secretas, pois um de seus princípios basilares é o da publicidade de seus atos.

Aqueles que deveriam servir de (bom) exemplo à nação, acabam disseminando e ressuscitando a antiga “Lei de Gerson”, onde o importante é sempre levar vantagem em tudo. Desdenham do povo e “se lixam” para a opinião pública.

Infelizmente, a mentalidade do “jeitinho”, da esperteza, do desrespeito à lei parecer ter se arraigado em nossa sociedade, que se acostumou a presenciar, de forma letárgica, a tantos descalabros e desmandos. Pessoas que agem corretamente, norteadas por rígidos preceitos éticos e que se submetem às normas vigentes são vistas como exceções, verdadeiros “alienígenas”, numa absurda inversão de valores.

Não podemos mais nos portar como “avestruzes”, enfiando a cabeça no buraco para nos protegermos das intempéries. É preciso que toda a sociedade se mobilize para que possamos resgatar os verdadeiros princípios éticos. Não podemos nos resignar jamais! Como nos ensinou o saudoso professor Darcy Ribeiro: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.”

Rodrigo Otávio Coelho de Souza
Advogado e Presidente da Rede Imobiliária Campinas Secovi

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